segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Entrevista com Camila Yahn

A Camila Yahn hoje é editora-assistente da revista de moda da Folha de S.Paulo, uma das idealizadoras do evento Pense Moda que acontece neste mês dias 17,18 e 19. Além de blogueira também! Dá uma passadinha no blog da cami.




1) Como teve início sua carreira já que você se formou em artes cênicas e não em moda? Teve alguma dificuldade quando começou a trabalhar com moda?

Eu sempre gostei de moda, conhecia as pessoas e circulava no meio de moda e noite, que na época era quase que uma coisa só. Fui morar em Londres para estudar artes cênicas e acabei conhecendo uma turma bem fashion, onde conheci o Nicola Formichetti, que se tornou um super profissional e é um dos convidados desta edição do PM. Acabei ficando lá por três anos e quando voltei, fui convidada pela Erika Palomino para trabalhar com ela. A partir daí foi tudo muito natural e acontecendo no tempo certo. A Erika teve muita paciência para me ensinar um monte de coisas e eu fui me envolvendo com moda e crescendo naturalmente.

2) Para você como é ser editora assistente da revista Moda da Folha de S.Paulo?

É uma delícia, pois tenho o privilégio de trabalhar com o Alcino Leite Neto, que é uma inspiração para qualquer pessoa que trabalhe com moda. Eu evoluí muito, especialmente no meu texto, depois que comecei a trabalhar com ele. Fazer uma revista, ainda mais com o nome da Folha, dá bastante trabalho e existe uma pressão por resultados, mas é uma ótima maneira de aprender, rever os erros, exercitar e também de aprender a lidar com a pressão.

3) Hoje reconhecida e prestigiada como jornalista de moda o que você gosta na moda nacional? E o que você acredita que possa mudar?

Gosto de todos os profissionais que conseguem se manter no mercado através de um trabalho honesto e com identidade própria, sem copiar, sem ter medo de mostrar seu verdadeiro trabalho. Claro que é importante a parte de gestão para a marca sobreviver, mas estilistas como Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga trabalham com suas próprias inspirações e idéias, sem se prender às tendências. Também acho que a Osklen está fazendo um bom trabalho.

Acho que o que pode mudar é a relação entre as pessoas do meio, que não conseguem vislumbrar um trabalho em parceria. Há muita competição e pouco diálogo na moda brasileira. As pessoas também tem medo de serem criativas, ainda confundem algo criativo com algo conceitual e sem poder de comunicação/comercialização.

4) Quais são suas fontes de pesquisas?

Revistas, internet, blogs, música, conversa entre amigos, entrevistas que faço, viagens...

5) Como você idealizou o Pense Moda? E quando surgiu a idéia?

O Pense Moda surgiu depois que eu vi três editoriais consecutivos que descobri serem cópias rasgadas de editoriais estrangeiros. Fiquei chocada, pois foram feitos pro fotógrafos que admiro e que tenho certeza que têm um potencial enorme para desenvolver imagens lindas sem ter uma outra revista do lado. O Marcelo Jabur, que é meu sócio, pediu para eu bolar um evento de música para ele, mas disse que já tinha algo de moda pronto na minha cabeça. Aí colocamos a Babu Bicudo na história e a coisa começou.

6) Vivemos um momento em que a moda vem sendo muito discutida você acredita que essas discussões devem ficar apenas na moda ou devem ocorrer para tudo que envolva criação?

Acho que devem ocorrer em todas as áreas que envolvem criação. Apesar de que, nas artes, na música e no cinema, não se tem tanto medo quando o assunto é criatividade. Acho que também a publicidade carece de mentes mais pensantes e criativas.

7)O que você acredita que falte pra moda brasileira se profissionalizar mais e inovar também?

Muita coisa. Os impostos para as pessoas exportarem suas roupas são gigantes, então é muito difícil ainda internacionalizar a moda brasileira. Esse é apenas um dos pontos. Aqui também se acha que só é legal o que for muito caro. É um pensamento antigo e cafona. Então, vc acha peças de estilistas novos que cobram o valor de uma bolsa Balenciaga. Quem é que vai pagar? Quanto tempo essa marca acha que vai sobreviver? Tudo por conta dessa mentalidade que as coisas têm que ser caras para ter valor. Sem querer desvalorizar o trabalho de ninguém, mas acho que, de fato, falta algum ajuste aí. E também falta gente que saiba fazer de fato. As pessoas saem da faculdade já querendo abrir uma loja na Oscar Freire. Não tem mais estudo, busca por mais informações, por um bom estágio. Sobra vaidade e falta informação e cultura.

8) Com sua experiência internacional o que as semanas de moda internacionais tem de diferente das nossas semanas de moda aqui?

Acho que também é pra Érika! Eu só fui para a London Fashion Week duas vezes! A nossa SPFW não deve nada em termos de organização, mas Londres dá muito apoio aos jovens estilistas e é mais focado na moda mesmo, enquanto no Brasil, as semanas de moda viraram quase que um evento social.

9) Onde você se vê daqui uns dez anos?

Espero que o PM já tenha rodado o Brasil e esteja presente na América Latina e que tenhamos feito parte de algumas transformações no meio da moda. Também quero ter um programa de rádio, uma revista e ter meu escritório de consultoria e projetos bombando! Ufa!

Links:

http://www.pensemoda.com.br/inscricao/

http://camilayahn.wordpress.com/